As Eleições 2026 colocam novamente a tecnologia no centro do debate sobre comunicação, produção audiovisual e organização de campanhas. Entre as ferramentas que ganharam espaço nos últimos anos, os drones ocupam uma posição cada vez mais relevante.
Com câmeras de alta resolução, sensores avançados e recursos de automação, essas aeronaves podem produzir imagens aéreas de eventos, registrar grandes espaços e criar conteúdos audiovisuais para diferentes plataformas digitais.
Entretanto, o uso de drones nas eleições não se resume a produzir imagens impressionantes. Em um ambiente regulado, a operação precisa considerar simultaneamente as regras eleitorais, a segurança de voo, a privacidade das pessoas e as normas aeronáuticas.
Por isso, entender a relação entre eleições e drones é importante para profissionais de audiovisual, equipes de comunicação, operadores e empresas contratadas para prestar serviços durante o período eleitoral.
Eleições 2026: quando começa a propaganda eleitoral?
Antes de falar especificamente sobre drones, é necessário compreender o calendário eleitoral.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a propaganda eleitoral geral das Eleições 2026 começou em 16 de agosto de 2026, tanto nas ruas quanto na internet. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, enquanto eventual segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.
Esse calendário é importante porque a produção e a divulgação de conteúdos de campanha estão submetidas às regras eleitorais.
Além disso, o TSE mantém normas específicas para propaganda eleitoral, internet, inteligência artificial, conteúdos audiovisuais e outros formatos de comunicação. A regulamentação de 2026 inclui alterações na Resolução nº 23.610/2019.
Assim, uma equipe que utiliza drones para produzir vídeos eleitorais precisa observar não apenas a qualidade da gravação, mas também o contexto em que aquele conteúdo será utilizado.
Como os drones podem ser utilizados nas eleições?
A aplicação mais evidente está na produção audiovisual.
Um drone pode registrar imagens panorâmicas de um comício, uma caminhada, uma convenção partidária ou outro evento público. Da mesma forma, pode produzir imagens aéreas utilizadas em vídeos institucionais, documentários, reportagens e materiais de comunicação.

Isso acontece porque a perspectiva aérea oferece uma linguagem visual diferente daquela obtida por câmeras terrestres.
Uma caminhada, por exemplo, pode ser registrada de diferentes ângulos. Uma câmera convencional acompanha os participantes pelo solo, enquanto o drone pode apresentar uma visão mais ampla do espaço.
Entretanto, existe uma diferença importante entre registrar imagens e utilizar essas imagens como propaganda eleitoral.
O equipamento é apenas uma ferramenta de produção. A forma como o material será editado, publicado e divulgado precisa seguir as regras eleitorais aplicáveis.
Drones e produção de conteúdo eleitoral
Durante as eleições, vídeos têm grande importância na comunicação digital.
Por isso, drones podem ser incorporados às equipes de produção audiovisual responsáveis por captar imagens para redes sociais, sites, vídeos institucionais e outros meios.
Além disso, a tecnologia permite registrar imagens de cidades, obras, eventos e paisagens que podem fazer parte de materiais produzidos durante o período eleitoral.
Contudo, a produção precisa ser planejada.
O operador deve avaliar o local, as condições meteorológicas, o espaço aéreo, a presença de pessoas e as características do voo antes de iniciar a operação.
A ANAC publicou em 2026 o RBAC nº 100, que substituiu o antigo RBAC-E nº 94 e passou a organizar as operações de drones conforme o nível de risco. As operações foram divididas em categorias Aberta, Específica e Certificada.
Portanto, o fato de uma operação ocorrer durante uma campanha eleitoral não elimina as responsabilidades relacionadas à segurança da aviação.
O novo cenário regulatório dos drones em 2026
O ano de 2026 também marcou uma mudança importante na regulamentação brasileira.
Com o RBAC nº 100, a ANAC passou a adotar uma abordagem baseada principalmente no risco operacional, em vez de utilizar somente a classificação por peso que predominava no modelo anterior.
Na Categoria Aberta, por exemplo, estão operações de menor risco, dentro de limites definidos. Entre os requisitos apresentados pela ANAC estão operação em VLOS ou EVLOS, altura de até 120 metros e distância de pessoas que não participam da operação, conforme as condições aplicáveis.
Já operações que ultrapassam os limites da Categoria Aberta podem entrar na Categoria Específica e exigir avaliação de risco ou enquadramento em cenário previsto pela regulamentação.
Para campanhas e empresas de audiovisual, essa mudança reforça uma ideia importante: cada voo precisa ser analisado de acordo com suas características reais.
Um voo simples para produzir imagens de uma área aberta pode apresentar um cenário completamente diferente de uma operação próxima a uma grande concentração de pessoas.
Drones em eventos com grandes públicos
Esse é um dos pontos que merece maior atenção.
Eventos políticos podem reunir grandes quantidades de pessoas. Consequentemente, uma operação aérea realizada sobre ou próxima a esse público pode apresentar riscos adicionais.
A nova regulamentação da ANAC estabelece critérios específicos para as operações, considerando fatores como risco, proximidade de terceiros e características do voo.
Por isso, não basta contratar um piloto e simplesmente solicitar que ele “faça algumas imagens de cima”.
Antes do voo, é necessário avaliar o cenário operacional.
Além disso, o operador deve considerar as regras do espaço aéreo e as exigências de outros órgãos competentes. A própria ANAC destaca que as operações devem observar também normas relacionadas ao DECEA, à Anatel e, quando aplicável, a outros órgãos públicos.
Privacidade também entra na discussão
Existe ainda outro aspecto importante: a imagem das pessoas.
Em eventos eleitorais, milhares de indivíduos podem aparecer nas imagens captadas por drones. Entretanto, isso não significa que toda utilização dessas imagens seja automaticamente adequada.
A regulamentação da ANAC também destaca a necessidade de observar legislações relacionadas à intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas.
Por isso, equipes de produção devem estabelecer procedimentos para captação, armazenamento, edição e publicação das imagens.
Além disso, quando o objetivo é mostrar a dimensão de um evento, pode ser possível utilizar enquadramentos mais amplos em vez de concentrar a gravação em indivíduos específicos.
Inteligência artificial e drones nas eleições
Outro assunto que ganhou importância nas Eleições 2026 é a inteligência artificial.
O TSE estabeleceu regras específicas para conteúdos sintéticos produzidos ou modificados por inteligência artificial ou tecnologias equivalentes. Em determinadas situações, é necessário informar de maneira explícita que o conteúdo foi fabricado ou manipulado e indicar a tecnologia utilizada.
Isso cria uma nova camada de atenção para equipes que trabalham com drones.
Uma imagem captada por uma aeronave pode ser verdadeira, mas sua edição posterior pode modificar significativamente o contexto apresentado ao público.
Por esse motivo, profissionais de audiovisual precisam diferenciar claramente a captação real da eventual utilização de recursos digitais para alterar imagens, sons ou outros elementos.
Em setembro de 2026, o TSE também estabeleceu critérios relacionados à caracterização de conteúdos deepfake nas Eleições 2026.
O profissional de drones ganha uma nova responsabilidade
Nesse cenário, o piloto profissional deixa de ser apenas a pessoa responsável por controlar a aeronave.
Ele passa a integrar uma cadeia de produção que envolve planejamento, segurança, captação, tratamento de imagens e conformidade.
Por isso, a formação profissional torna-se especialmente relevante.
Conhecer procedimentos de voo, avaliação de riscos, planejamento de missão, espaço aéreo e operação segura permite que o profissional trabalhe de maneira mais estruturada.
Da mesma forma, compreender fotografia, filmagem e edição ajuda a transformar a capacidade técnica do drone em um produto audiovisual de qualidade.
O que esperar dos drones nas eleições?
A tendência é que os drones continuem presentes na produção audiovisual das campanhas e na cobertura de eventos relacionados ao período eleitoral.
Entretanto, o crescimento dessa utilização também aumenta a necessidade de profissionais preparados.
Em 2026, a combinação entre drones, câmeras de alta resolução, inteligência artificial e plataformas digitais cria novas possibilidades para a comunicação.
Ao mesmo tempo, as regras eleitorais e aeronáuticas estabelecem limites que precisam ser respeitados.
Portanto, eleições e drones representam uma combinação tecnológica que exige mais do que criatividade.
É necessário planejamento.
É necessário conhecimento técnico.
E, principalmente, é necessário compreender que uma aeronave remotamente pilotada opera dentro de um ambiente regulado.
Conclusão
Os drones já fazem parte da transformação do audiovisual e podem desempenhar um papel relevante na produção de imagens durante as Eleições 2026.
Suas câmeras permitem novas perspectivas, enquanto a evolução dos equipamentos amplia as possibilidades de captação.
Porém, tecnologia e responsabilidade precisam caminhar juntas.
Durante o período eleitoral, profissionais e equipes de campanha devem observar as normas do TSE relacionadas à propaganda e, paralelamente, cumprir as regras aplicáveis à operação de drones estabelecidas pela ANAC e pelos demais órgãos competentes.
Dessa maneira, o drone pode cumprir seu papel como ferramenta de produção audiovisual sem deixar de lado a segurança operacional, a privacidade e as regras que estruturam o processo eleitoral brasileiro.
No céu, uma pequena aeronave pode carregar uma câmera. No trabalho profissional, porém, ela carrega também uma grande responsabilidade.


